A resina epóxi sai transparente do frasco. Tudo o que acontece depois — o azul profundo de um tampo, o dourado suspenso dentro de um pingente, o brilho que só aparece sob luz negra — vem do pigmento.
E é aí que a maioria dos projetos trava. Não por falta de habilidade, mas porque existem três famílias de pigmento com comportamentos completamente diferentes, e escolher a errada faz a peça sair opaca, sem profundidade ou simplesmente diferente do que estava na cabeça.
Este guia separa as três, mostra a dosagem de cada uma e diz qual usar em cada tipo de projeto.
As três famílias de pigmento
Elas não são versões da mesma coisa. São materiais diferentes, com dosagem diferente e resultado diferente.
- Pigmento sólido (EPX, 240 ml) — cor cheia e uniforme. É o que fecha a cor de um tampo, de um piso ou de uma peça que precisa de cobertura.
- Pigmento metalizado (40 g) — partícula que fica suspensa dentro da camada e devolve luz. É o que dá o efeito perolado e a sensação de profundidade.
- Pigmento fluorescente (40 g) — cor vibrante que reage sob luz negra ou ultravioleta.
Pigmento sólido EPX: quando você quer a cor, não o efeito
O Pigmento Epóxi 240 ml é o pigmento de cor cheia da loja. São dez tons: preto, branco, amarelo ocre, amarelo vivo, laranja, vermelho ferrari, vermelho óxido, azul, violeta e magenta.
A característica mais importante dele está na dosagem: 2 a 4 gotas por 100 g de resina já entregam coloração uniforme. Não é figura de linguagem. É pouco mesmo, e é por isso que um frasco de 240 ml atravessa muitos projetos.
Ele foi formulado para não interferir no processo de cura nem na resistência da resina. Ou seja: pigmentar não enfraquece a peça, desde que você respeite a dosagem.
Uma coisa que o catálogo diz e quase ninguém aproveita: os pigmentos foram feitos para serem combinados entre si. É assim que se chega em tons que não existem na cartela. Tem um artigo inteiro sobre isso em como misturar pigmento e chegar em cores fora da cartela.
Pigmento metalizado: quando você quer profundidade
O Pigmento Metalizado 40 g funciona por um mecanismo diferente. A partícula metálica não se dissolve na resina: ela fica suspensa dentro da camada. Quando a luz entra, ela é devolvida de dentro para fora, e a peça muda de aparência conforme você gira.
São 13 tons entre ouro perolado, prata, prata perolada, prata lisa, dourado, cobre, cobre avermelhado, pérola marrom, holográfico gold e holográfico silver.
A regra de uso é oposta à do pigmento sólido: adicione gradualmente. Pequenas quantidades já entregam efeito marcante, e excesso mata justamente a transparência que faz o metalizado funcionar.
Como dosar sem errar está detalhado em pigmento metalizado: como dosar para o efeito não virar opacidade.
Pigmento fluorescente: quando o efeito depende da luz
O Pigmento Fluorescente 40 g tem oito cores e um comportamento que precisa ficar claro antes da compra: ele brilha sob luz negra ou ultravioleta. Ele não acumula luz para brilhar sozinho no escuro.
Sob luz normal, a peça aparece com cor vibrante. Sob luz UV, ela acende. São dois momentos diferentes da mesma peça, e é isso que torna o efeito interessante em bar, estúdio, peça de festa e bijuteria.
A diferença entre fluorescente e fosforescente derruba muita expectativa. Está explicada em pigmento fluorescente: o que ele faz e o que ele não faz.
A ordem de mistura vale para os três
Independente da família, o caminho é o mesmo, e a ordem importa:
- Adicione o pigmento direto no Componente A (a resina), nunca na mistura já catalisada.
- Misture até a cor ficar completamente homogênea.
- Só então acrescente o Componente B (o endurecedor), na proporção 2:1.
- Misture os dois componentes de novo, devagar, até incorporar por completo.
Pigmentar depois de catalisar é o erro que gera risco de cor, mancha e ponto mole. E misturar rápido demais é o que enche a peça de bolha — assunto tratado em como evitar bolhas em resina epóxi.
Qual usar em cada projeto
- Tampo de mesa com rio colorido — pigmento sólido para fechar a cor da água, metalizado em dose pequena se quiser movimento dentro do rio.
- Bijuteria e peça pequena — metalizado. É onde ele rende mais, porque a peça é vista de perto e girando.
- Piso e bancada — pigmento sólido. Área grande pede cobertura, não efeito.
- Peça de festa, bar, decoração noturna — fluorescente, com uma fonte de luz negra prevista no ambiente.
- Encapsulamento de flor ou objeto — pouco pigmento ou nenhum. O que você quer ver é o que está dentro.
Três erros que aparecem sempre
Achar que mais pigmento é mais cor
Depois de certo ponto, mais pigmento só deixa a resina opaca. Nos sólidos, a referência é 2 a 4 gotas por 100 g. Nos metalizados, é o olho: adicione até aparecer o efeito e pare.
Pigmentar no olho e não conseguir repetir
Se a peça tem duas camadas ou vai virar série, anote a dosagem em gotas por grama de resina. Sem número anotado, a segunda camada nunca fecha com a primeira.
Testar a cor no pote
A cor no pote não é a cor curada. Faça uma amostra pequena, deixe curar e só então decida. É meia hora de trabalho que evita perder uma peça inteira.
Onde começar
Se você ainda está montando o material, comece pelo kit certo para a espessura do seu projeto — Kit EUROPOXI-100 + ED-85 para camadas de até 0,5 mm, Kit EUROPOXI-50 + ED-85 para até 6 cm por camada. Depois escolha a cor.
A linha completa de pigmentos está no site, com as três famílias separadas. E se ainda estiver na dúvida sobre quanto material comprar, a calculadora de resina e endurecedor resolve o volume e a proporção.






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